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29 novembro 2012

Leituras Minhaaass


Passado quase um ano, lá comecei e terminei o livro de José Saramago - Clarabóia. Este parece que levou a acabar mais um bocadinho que o habitual, porque algumas partes da história era mais “boring” que fez com que eu levasse mais tempo a pegar-lhe ou pegasse menos tempo. Mas no fundo até é uma história com contornos curiosos do quotidiano de antigamente com algumas da actualidade. Trata-se assim de uma história de um prédio de seis inquilinos que são envolvidos num enredo. Começamos pelo rés-do-chão onde numa casa se tem uma espanhola infeliz no seu casamento, e na casa ao lado um sapateiro que com a sua esposa procuram um inquilino para um dos seus quartos – mas que se torna num inquilino com um modo de vida estranho demonstrando que não quer criar “tentáculos” com nada e com ninguém. No andar de cima temos uma ex-prostituta que encontrou o seu ninho de ouro num único visitante nocturno  mas que ao longo da história a vai deixar em prol de uma rapariga mais novo e curiosamente também sua vizinha, a mesma a quem conseguiu um emprego para esse mesmíssimo senhor. Ao lado temos um casal levado pela idade e do desgaste dos anos passados juntos e da perda de sua filha aos 8 anos com meningite. E por fim, no último andar mesmo por cima deste casal temos uma tia, mais a sua irmã e suas sobrinhas que são muito ligadas entre si e que tem uma forte paixão pela música clássica e à literatura. E pronto, o livro acaba por tentar transmitir uma mensagem final de que os homens se devem amar uns aos outros, um amor lúcido e activo.
E agora, apesar de ter uma pilha de livros por ler, vou.me dedicar durante algum tempo aos romances fofinhos de bolso. Aqueles pequeninos que se lêem em dois tempos e que se vendem nas papelarias, nomeadamente os da Sabrina.

22 outubro 2012

18 junho 2010

José Saramago

Perdeu.se o Senhor da Literatura, o Senhor que não utilizava pontuações, o Senhor que teve ousadez de escrever e dizer o que sempre pensara, o Senhor que venceu o Óscar e que levou a sua escrita ao Mundo. Não será esquecido com toda a certeza.

1922 - 2010

- Talvez noutro mundo encontre a verdadeira essência da vida, provavelmente a sua missão na Terra tenha terminado e chegado a altura de descobrir quem sempre negara. Talvez no fundo, fundinho, até acreditasse Nele. Descanse em Paz. - (Mero pensamento meu)

29 maio 2009

A Língua Portuguesa

"O Futebol e a língua portuguesa"
"Na mesma semana, o Sporting perdeu dois campeonatos: o de futebol e o da língua portuguesa. Se pensarmos que ambas as derrotas aconteceram na altura em que fez um ano que o Benfica se sagrou campeão pela trigésima primeira vez, poderemos ter a noção da envergadura do desaire.
Alguns leitores estão a pensar: «Este tipo é uma besta. Só porque é do Benfica, acha que pode manipular os factos a seu bel-prazer e fazer parecer que o clube da Luz, embora tendo ficado em terceiro lugar, se superiorizou ao Sporting.» Confesso que não aprecio este tipo de leitores. Estou disposto a relatar aquilo que se passou foi isto: o presidente do Glorioso Sport Lisboa e Benfica trocou umas palavras azedas com o líder dos lagartos. Luís Filipe Vieira disse que determinado funcionário da agremiação leonina era, cito, um «vulgar jogador». Os responsáveis do Sporting abespinharam-se e contrapuseram que o funcionário em causa não era, de todo em todo, e cito, «um jogador vulgar». Ora, o presidente e o treinador do Sporting parecem desconhecer que «vulgar jogador» e «jogador vulgar» não são expressões equivalentes. Por exemplo: Maradona era um grande jogador. Mas não era, de modo algum, um jogador grande. O desconhecimento destas pequenas subtilezas da língua portuguesa pode custar caro. Dou outro exemplo: a Madre Teresa de Calcutá era, para muitos, uma boa mulher. Mas, benza-a Deus, estava longe de ser uma mulher boa. (...) Hoje em dia, os jogadores já quase não recebem a bola. Na maior parte das vezes, «recepcionam o esférico». O verbo recepcionar (magnífica descoberta) tem vindo a aprimorar-se ganhando sílabas. Já ouvi esféricos a serem recepcionalizados e alguns mesmo a serem recepcionamentalizados. Parece-me que tudo depende do esférico e do talento do jogador que, consoante os casos, o recepciona, recepcionaliza ou recepcionamentaliza."
in: PEREIRA, Ricardo Araújo. Boca do Inferno
Este magnífico texto é dedicado ao patxim... aqui está a explicação óbvia, esclarecedora e clara (não escura!) do nosso português traiçoeiro.
Assim fica esclarecido que uma "rica velha" não é bem o mesmo que uma velha rica haha
Cuidadz xD