13 dezembro 2012

Este mês:


Santa Luzia (Lucia de Siracusa 283-304) foi uma jovem siciliana, venerada pelos católicos, como virgem e mártir, que morreu martirizada por volta de 304 durante as perseguições de Diocleciano em Siracusa. Santa Luzia foi vítima de várias torturas, sendo a mais conhecida a de lhe arrancarem os olhos, que os agressores colocarem numa bandeja e entregaram ao seu ex-pretendente. Mesmo assim, no dia seguinte os olhos de Luzia apareceram em seu rosto, intactos. Por esse facto, é invocada ainda hoje como protectora especial contra as doenças dos olhos.

11 dezembro 2012

A minha história


Olá, o meu nome é António e esta é a minha família, o Zé, a Mãe e o Chico e todos temos um vírus chamado VIH. Há outra palavra que as pessoas também usam e é a palavra SIDA. Vou falar-vos sobre isso mas primeiro quero falar de mim.
Tenho 11 anos e a minha comida preferida é McDonalds e a minha banda favorita são os James. Agora de volta ao assunto do VIH. O VIH é como um exército dentro do nosso corpo, o exército vermelho é o exército bom e o exército preto é o mau. Isto é o VIH.
Antes eu sabia que tinha só 80 soldados e muitos mais pretos, mas agora tenho 500 soldados e nem por isso muitos pretos. Como eu fiquei tão bem de saúde é um segredo mas eu conto-vos. Tomo uns comprimidos especiais, tomo 154 comprimidos por semana e são uma data de comprimidos. Tomo 18 cor de laranja, 2 brancos, 2 amarelos e às segundas, quartas e sextas tomo Antrinox que é mesmo horrível, mas tudo bem. Tomo as minhas pastilhas de manhã, ao meio-dia e à noite. A única coisa que eu não gosto no VIH é quando tomo os comprimidos de manhã porque tenho que me levantar muito cedo, mas desde que tome os comprimidos está tudo bem e não vou adoecer.
Agora vou contar-vos uma história de como eu e a minha família descobrimos. Foi o meu irmão que nos fez descobrir e é por isso que a minha mãe diz que ele é uma dádiva. Se ele não tivesse nascido eu estava agora muito doente e até podia ter morrido. Foi o dia em que me lembro que todas as enfermeiras foram muito simpáticas comigo, uma até me deu uma caixa de chocolates e depois vi lágrimas nos olhos da minha mãe quando saiu de uma sala e foi aí que percebi que alguma coisa estranha estava a acontecer. Durante 1998 comecei a pensar que havia qualquer coisa e de errado comigo mas eu não tinha nenhuma ideia do que seria. Quando estava a fazer testes de sangue vi a minha mãe e a médica ir para a secretária e foi aí que vi o impresso com VIH escrito e depois vi uma telenovela em que o actor estava a tomar os mesmos comprimidos que eu tomo e ele tinha VIH e foi assim que eu descobri. Espero que tenham gostado do meu trabalho sobre informação.
António

Eu, francamente, já não quero saber
De quem não dá porque tem medo de sofrer…
Toquinho / Vinicius de Morais

10 dezembro 2012

O amor protege de tudo... ou talvez não.


Era Verão e as férias tinham começado há uma semana. Como sempre, estava na Nazaré, na casa da minha avó. Este ano ia ser diferente. Tinha feito 17 anos há poucos dias e, finalmente, ia poder sair à noite com as minhas primas e os amigos.
Na praia fazíamos as parvoíces do costume: jogar raquetes, piscar os olhos aos rapazes, contar anedotas, comer gelados.
O Paulo era mesmo muito giro. Tinha 19 anos e olhos verdes. Sei lá porquê, foi a mim que escolheu e eu ia morrendo derretida quando ele me perguntou ao ouvido: “Queres namorar comigo?”, como nos filmes antigos e nas novelas…
Não era só uma paixão de Verão. O Paulo dizia isso todos os dias e, quando as férias acabaram e cada um voltou para sua casa, escrevíamos, telefonávamos e, fim-de-semana sim, fim-de-semana não, viajávamos 60 quilómetros para nos encontrarmos.
Eu era virgem. Ao fim de quatro meses de namoro já tínhamos “avançado” tanto que resolvi tomar a pílula. Claro que sabíamos que não podíamos ter um bebé!
Fizemos amor três vezes. Começaram os exames, o Paulo tinha muito que estudar, cada vez tínhamos menos contacto.
Comecei a sentir-me estranha: tinha náuseas, um pouco de febre, estava sempre indisposta. Fui ao médico, fiz um teste para saber se estava grávida. Não, não estava. O Paulo telefonou. Tínhamos que falar, ele tinha feito as pazes com a ex-namorada, era uma história complicada, tinham namorado dois anos, terminaram, andaram com outras pessoas, voltaram, blá blá, blá… O Verão acabou, definitivamente. E não houve Outono. A transição foi de 40 graus à sombra aí para uns dez negativos.
Pensava que todo este desconforto físico que sentia tinha a ver com a devastação emocional provocada pela perda. As minhas amigas diziam-me que já não se morre de amor. Não é verdade. Tenho 32 anos e estou a morrer. De SIDA ou de amor, agora já tanto faz…


Marta, in Agenda 2001, Amar Amar Perdidamente, Amar Amar Seguramente

09 dezembro 2012

O Valor das Pequenas Coisas


Em cada indelicadeza, assassino um pouco aqueles que me amam.
Em cada desatenção, não sou nem educado, nem cristão.
Em cada olhar de desprezo, alguém termina magoado.
Em cada gesto de impaciência, dou uma bofetada invisível nos que convivem comigo.
Em cada perdão que eu negue, vai um pedaço do meu egoísmo.
Em cada ressentimento, revelo meu amor-próprio ferido.
Em cada palavra áspera que digo, perdi alguns pontos no céu.
Em cada omissão que pratico, rasgo uma folha do evangelho.
Em cada esmola que eu nego, um pobre se afasta mais triste.
Em cada oração que não faço, eu peco.
Em cada juízo maldoso, meu lado mesquinho se aflora.
Em cada fofoca que faço, eu peco contra o silêncio.
Em cada pranto que enxugo, eu torno alguém mais feliz.
Em cada acto de fé, eu canto um hino à vida.
Em cada sorriso que espalho, eu planto alguma esperança.
Em cada espinho, que finco, amachuco algum coração.
Em cada espinho que arranco, alguém beijará minha mão.
Em cada rosa que oferto, os anjos dizem: Amén!
Roque Schneider

07 dezembro 2012


Tão só!
Cada vez são mais longos os caminhos que me levam à gente
(e os pensamentos fechados em gaiolas, as ideias em jaulas).

Ah! Não fujam de mim!
Não mordo, não arranho. Direi:
“Pois não! Ora essa! Tem razão.”

Entanto, na gaiola,
Cantarão, sem silêncio,
Os sonhos, as ideias,
Como pássaros mudos.

Fernanda de Castro
Três poemas de solidão

06 dezembro 2012

Testemunho


Nem sempre é fácil traduzir por palavras o que se vive, se sente e se testemunha. São as circunstâncias que nos levam muitas vezes a concluir como é verdadeira esta realidade.
A doença de nossa Mãe e Irmã permitiu que nos aproximássemos de um modo diferente da Obra de Santa Zita, que conhecíamos vagamente, através de algumas actividades que realiza.
Esta aproximação fez-nos perceber o significado da pertença à “comunidade dos homens”, onde não há fronteiras, pequenos e grandes, fortes e fracos, porque o que se move é o Amor de Deus concretizado no amor a cada homem.
Descobrimos nesta Obra este amor sem discriminação, um dar-se que leva a ultrapassar-se a si mesmo e a ser reflectido no outro, criar relacionamentos de fraternidade, dar o seu próprio tempo em generosidade, ou seja, criar raízes que alicerçam em Deus, que alimenta este tipo de projectos. E isto faz toda a diferença. A disponibilidade demonstrada leva ao empenhamento posto nos detalhes mais pequenos. O cansaço torna-se secundário porque se descansa no próprio Cristo. Uma obra só permanece se for Obra de Deus, só assim se faz bem o bem.
É bom saber-se que no mundo (e nem sempre nos apercebemos disso), há quem tenha alegria para comunicar, afecto para distribuir, consolo para aliviar, tempo para ser posto à disposição de quem precisa.
A história da Visitação ensina-nos o significado da amizade e da comunidade… sozinhos nada podemos fazer. Deus quer que partilhemos uns com os outros para que a Sua graça dê frutos. Maria e Isabel viveram juntas durante três meses, dando coragem uma à outra para enfrentarem a maternidade extraordinária que lhes foi concedida e que, não sendo possível aos olhos dos homens, as fez compreender que “a Deus nada é impossível”.
É neste contexto que, pensamos, a Obra de Santa Zita vive o seu projecto de entrega aos outros, com a disponibilidade que nos foi dado testemunhar, sem reservas, num espírito de total entrega e interesse na resolução das situações mais diversas.
Teresa Mercês de Mello, filha e de Ema Macedo, irmã

Sozinho, perdido
Amizade aflita
Num quarto esquecido
Doença maldita

Sem ter um abraço
Sem ter um amigo
Pesadelo baço
Que baila comigo

Às portas da morte
Soltando gemidos
Sem rumo e sem norte
Meus sonhos perdidos

Pelo mundo fora
Há uma voz erguida
É alguém que mora
Numa dor esquecida

Do escuro vazio
Uma mão amiga
Me livra do frio
Da dor que castiga

E fico apertado
Neste abraço amigo
Finalmente amado
Como um sonho antigo

Laurentino Reis

11º Ano de escolaridade

05 dezembro 2012

Preocupas-te com…


Entre a VIDA
E a SIDA
Apenas uma letra
De diferença.
Entre a sorte
E a morte
Uma letra
Também
Maldita Ortografia!
Telo de Morais
(8ºano de escolaridade)


… A SIDA em Portugal?
Apesar de todas as campanhas informativas promovidas ao longo de década e meia de investimento na prevenção da doença, os números da SIDA em Portugal ainda são preocupantes. Mais animadora é a tendência ultimamente verificada, que aponta para uma certa estabilidade ou mesmo ligeiro recuo no ritmo da propagação do VIH. Segundo os dados estatísticos do Centro de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis, desde 1983 até Junho de 2000 foram detectados 7191 casos, tendo-se registado 4052 mortes, ou seja, aproximadamente metade do número de casos de doença conhecidos.
O que é a SIDA?
A SIDA resulta da infecção pelo vírus da Imunodeficiência Humana (VIH). O VIH actua atacando o Sistema Imunitário, responsável pelas defesas do organismo. Em consequência, surge ao fim de alguns anos, a situação de SIDA, caracterizada por infecções oportunistas graves e certos tipos de cancro que conduzem à morte.
Como se transmite o VIH?
Há apenas três possibilidades de transmissão do VIH:
Via Sexual
Através do esperma e líquidos vaginais, por quaisquer práticas sexuais, sejam elas homo ou heterossexuais, desde que um dos parceiros esteja infectado. Qualquer das relações – vaginal, oral ou anal – é potencialmente infectante.
Via Sanguínea
Pela partilha de agulhas e seringas contaminadas (toxicodependentes de drogas injectáveis). Pelo uso de objectos cortantes ou perfurantes contaminados (agulhas de acupunctura, - material de “manicure”, calista, barbeiro, para furar orelhas, etc.
Via materno-infantil (da mãe infectada para o filho)
Durante a gravidez, o parto, ou através do aleitamento. As mulheres grávidas ou que decidam engravidar devem fazer o teste da SIDA. As grávidas infectadas poderão ser aconselhadas a interromper a gravidez, mas a decisão do aborto será sempre da mulher ou do casal.
Como não se transmite o VIH?
O VIH não se transmite pelo ar, tosse ou espirro, saliva, suor ou lágrimas, por picada de insectos, por animais domésticos, por alimentos ou pelo contacto com a pele sã. Não há portanto, qualquer razão para discriminar os indivíduos infectados, nomeadamente no convívio social, locais de trabalho e escolas.


Eu não corro riscos: só ando com o João que largou de vez a Rita que andou com o Pedro que antes tinha flirtado com a Isabel que deixou o Fernando quando soube que ele curtia também com a Laura que andou com o Miguel depois de ter deixado a Graça que não parava de se lastimar de ter perdido o Luis que…

In Agenda 2001, Amar Amar Perdidamente, Amar Amar Seguramente

Q' Alma Alma

Não sei se é do tempo, se é das circunstâncias, ou de outra coisa qualquer, mas eu de dia para dia sinto.me a esmorecer, a ficar sem vontade de levantar de manhã (talvez seja do tempo, está frio...), mas a verdade é esta. Sinto que o que faço não vale de nada, mas também se deixo de fazer sinto.me enormemente triste. Já há bastante tempo que digo que preciso de um psicólogo, e depois do último trabalho que tive, onde saia todos os dias mal, com fortes vontades de chorar fez com que despertasse este bichinho que há em mim e que me coloca depressiva. Lógico que luto contra tudo isso sempre e busco ser o mais positiva possível, mas há pensamentos que persistem e que não me deixam. Enfim, são os tais dias, os tais talvez sim talvez não que têm um dia sim e um dia não. Espero melhoras, se não, não tenho outro remédio se não falar à senhora doctora de família. Esperamos / espero por dias melhores. 
Por falar em senhoras doctoras, hoje ia ter uma consulta de neurologia com a tal que não me resolve o problema e ainda me tem a lata de dizer que eu sou a paciente mais antiga e que não tinha conseguido resolver o problema. Ora bem, ainda estive para ir lá dar-lhe um Feliz Natal, mas os gastos não compensariam, logo, cancelei a consulta para sempre e se tiver que um dia voltar a uma neurologista que não seja com a mesma, pois boas recordações foi coisa que não me deixou. E é isto, hoje deu.me para escrever o que me vai na alma.