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28 março 2014

Povo é quem mais ordena, mas nem sempre tem razão...

Tenho vindo há uns tempos a ler e ouvir várias opiniões sobre o governo ir fazer um sorteio semanal para oferecer um carro topo de gama que se soube recentemente que se trata de um Audi. E a maioria reclama, está claro, acha mal, porque há pessoas a passar fome e depois vão comer o Audi com batatas, e mais um par de botas... Enfim, e isto dá.me graça, é óbvio que não é totalmente correcto um governo em austeridade andar a oferecer carros, mas também ninguém sabe que acordos fez com esta marca ou até quanto o governo vai acabar por ganhar se todas as pessoas passarem a querer factura... pois é do conhecimento de muita gente que existem estabelecimentos que não estão legais e se isto não for controlado de alguma maneira então nunca mais. Mas pronto, o povo português tem este hábito de reclamar por tudo e por nada, eu gostava de ver se em vez de darem os carros dessem dinheiro a instituições ou a pobrezinhos, íamos ver que os mesmos viriam dizer que andam a tirar a uns para dar aos outros e que não são nada pobres, não trabalham porque não querem, têm muitos filhos porque querem porque o que não falta são soluções para abortar e mais uma data de coisas que isto toda a gente tem um pouquinho para dizer. No entanto, voltando ao facto de o governo oferecer os carros, que eu saiba apenas engloba pessoas que peçam facturas, pessoas que compram produtos ou serviços que PRECISAM e que não são de borla, logo se tiverem a sorte de lhes sair um carrinho e que assim até possam ganhar algum dinheirinho se o venderem não vejo onde está o mal... Para mim, pior é as pessoas que têm dificuldades gastarem um dinheirão a fazer chamadas para os vários canais de televisão pública para conseguirem ganhar pelo menos 1000€ ou até mesmo um carro (que só por acaso também são de topo de gama), ou casas nos Algarves ou até mesmo numa zona chique de Lisboa! E aqui, nada importa que sejam pobrezinhos? E que gastem dinheiro? E que na maioria das vezes não saía nada? Como se pode imaginar, isto é só um exemplo e que responde a quem só critica... É óbvio que ninguém chega a lado nenhum, ninguém consegue chegar a toda a gente e quem acredita nisso está puramente enganado, não tem noção dos números. No meio disto tudo o governo apenas quer que as pessoas peçam sempre facturas, e com isso dar uma recompensa às pessoas. Ponto final.

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Mas ainda em relação ao povo português reclamar de tudo e de todos outro exemplo bem claro e esclarecedor foi a polémica em redor da canção escolhida para ir ao Eurovisão. Mas se formos a ver a maioria das pessoas nem sequer viu/vê/ou mesmo vai ver o Eurovisão... logo se tivessem visto tinham tido oportunidade de votar na canção que achassem que seria melhor, e se não houvesse nenhuma interessante e achassem que escrevem melhor, cantam, dançam então tivessem concorrido! Mas não, não viram o Festival da Canção, nem muito provavelmente estão interessados em ver o Eurovisão, apenas criticam a música porque sim! E agora invento eu: porque o que é porque sim tem muita força.


19 setembro 2013

A sério?! Ainda por cima porque adormeceu...? Eu admiro estas pessoas que conseguem descansar plenamente mesmo quando tem pela frente grandes desafios que à partida deviam deixar com um nervosinho miudinho (digo eu, que com qualquer coisa fico logo nervosa, passa.me a fome e a partir de determinada hora não há mais sono). Mas voltando ao assunto, não havia um treinador, pais, amigos, família, sei lá, alguém que se desse conta ou que ficasse responsável por a levar?! Ou tudo adormeceu? Agora é voltar à luta e tentar apagar esta falha da grande carreira que já tem com apenas 20 anos. 

06 junho 2013

Diz.se que...

Uma coisa é quando somos nós que temos de ser eficazes nas nossas acções, outra é quando estamos à espera que uma máquina/aparelho o seja e depois vai.se a ver e está a falhar.nos! Baaahhh

13 dezembro 2012

14. Youcat (Frases, Perguntas e suas Respostas)


Como Devemos Orar
Pergunta 469 – O que é a Oração?
Estamos em oração quando o nosso coração se dirige a Deus. Quando uma pessoa ora, entra numa relação viva com Deus.
A oração é a porta para a fé. Quem ora deixa de viver de si, para si e a partir da própria força. Ele sabe que há um Deus com quem pode falar. Uma pessoa que ora entrega-se cada vez mais a Deus. Ela procura desde já a união com Aquele com quem, cara a cara, se encontrará um dia. Por isso, pertence à vida cristã o esforço pela oração diária. Porém, não se aprende a orar como se aprende uma técnica. Embora isso soe estranho, orar é um dom que se obtém na oração.

Pergunta 470 – Que sentido tem a oração para uma pessoa?
Nós oramos porque temos um desejo completamente infinito e porque Deus nos criou para Si: «O nosso coração está irrequieto até encontrar o descanso em Ti.» (Santo Agostinho) Mas também oramos porque temos a necessidade; assim disse a Madre Teresa: «Porque não me posso abandonar a mim mesma, abandono-me a Ele 24 horas por dia.»
Esquecemos Deus frequentemente, afastamo-nos e escondemo-nos d’Ele. Mesmo que evitemos pensar em Deus, mesmo que O neguemos. Ele está sempre disponível para nós. Ele procura-nos, antes de O procurarmos; Ele anseia por nós. Ele chama-nos. Ao falarmos com a nossa consciência, notamos repentinamente que falamos com Deus. Ao sentirmo-nos sós, sem ninguém com quem falarmos, notamos que Deus está sempre disposto a conversar. Quando nos vemos em perigo, notamos que Deus respondeu ao nosso pedido de ajuda. Orar é tão humano como respirar, comer, amar. Orar purifica. Orar possibilita a resistência contra as tentações. Orar fortalece na fraqueza. Orar tira a angústia, duplica as forças, permite uma respiração mais profunda. Orar torna-nos felizes.

“O desejo de orar já é oração.” 
Georges Bernanos (1888 – 1948, escritor francês)

“Faz o que podes e reza pelo que não podes, para que Deus permita que o possas.” 
Santo Agostinho

“Eles deviam procurar a Deus e esforçar-se realmente para O atingir e encontrar. Na verdade, Ele não está longe de cada um de nós.” 
ACT 17, 27

“Orar não consiste em ouvir-se a falar; orar consiste em ficar em silêncio, estar e esperar em silêncio até ouvir Deus.” 
Soren Kierkegaard

“De repente, compreendi o silêncio como uma presença. No coração deste silêncio estava Ele, que é todo silêncio, paz e abandono.” 
Georges Bernanos

“Em minha opinião, a oração mental não é mais do que tratar de amizade, estando muitas vezes a sós com Quem sabemos que nos ama.” 
Santa Teresa de Ávila

Pergunta 474 – De que modo Jesus aprendeu a orar?
Jesus aprendeu a rezar na Sua família e na sinagoga. Porém, Jesus rebentou com as fronteiras da oração tradicional. A Sua oração mostra uma união com o Pai do Céu, que só pode possuir quem é “Filho de Deus”.
Jesus, que é simultaneamente Deus e homem, cresceu, como as outras crianças israelitas do Seu tempo, com os ritos e as formas de oração do Seu povo. Porém, tal como se manifestou na história de Jesus no Templo, ao atingir os 12 anos (Lc 2, 41-50), havia n’Ele algo que não podia ter sido aprendido: uma ligação originária, profunda e única com Deus, o Pai de Céu. Jesus tinha, como todas as pessoas, a esperança de um outro mundo, e orava a Deus a partir disso; ao mesmo tempo, portanto, Ele tornava-Se parte desse outro mundo. Aqui já se notava que um dia se oraria a Jesus, reconhecendo-O como Deus e pedindo-Lhe a Sua graça.

“Contemplata aliis tradere (Transmite aos outros o que contemplaste!)" 
Lema dos Dominicanos

Salmo de David
O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma. Ele me guia por sendas direitas por amor de Seu nome. Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos, não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo: o Vosso cajado e o Vosso báculo me enchem de confiança. […] 
SL 23

“Orar significa pensar em Jesus com amor. A oração é a atenção da alma que se concentra em Jesus. Quanto mais uma pessoa ama Jesus, tanto melhor ela ora.” 
Beato Charles de Foucauld

Pergunta 475 – Como orava Jesus?
A vida de Jesus era uma oração única. Em momentos decisivos, como a tentação no deserto, a escolha dos Apóstolos e a crucifixão, a Sua oração era especialmente intensa. Com frequência, sobretudo à noite, Ele retirava-Se na solidão, para orar. Ser um com o Pai, no Espírito Santo, era o fio condutor da Sua vida terrena.

Pergunta 476 – Como orou Jesus perante a Sua morte?
Perante a morte, Jesus viveu toda a profundidade da angústia humana. Porém, Ele encontrou a força para também nesse momento confiar no Pai celeste: «Abbá, Pai, tudo Te é possível: afasta de Mim este cálice! Contudo, não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres!»
“A necessidade ensina a orar.” Quase todas as pessoas têm a experiência disso. Como orou Jesus perante a ameaça da morte? O que nessa altura O orientou foi a absoluta disponibilidade para crer no amor e no cuidado do Pai. No entanto, Jesus proferiu a mais abissal de todas as orações, retirada das orações judaicas para a chegada da morte: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» (SL 22, 1;CF Mc 15, 34). Estão implícitos nesta frase do Crucificado todo o desespero, toda a lamúria, todo o grito das pessoas de todos os tempos, assim como o desejo da mão auxiliadora de Deus. Ao dizer «Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito» (Lc 23, 46), Jesus entregou o Seu espírito. Aqui ressoa a confiança infinita no Pai, cujo poder conhece o caminho para superar a morte. Assim, a oração de Jesus a morrer antecipa a vitória pascal na Sua ressurreição.

Pergunta 478 – Como podemos ter a certeza de que a nossa oração é ouvida por Deus?
Muitas das pessoas que pediram a cura a Jesus, durante a Sua vida terrena, foram escutadas. Jesus, que ressuscitou da morte, vive e ouve os nossos pedidos, levando-os ao Pai.
Jairo, um dos principais da sinagoga, implorou ajuda a Jesus e foi por Ele ouvido. A sua pequena filha estava doente, quase a morrer. Jesus curou a sua filhinha ou ressuscitou-a dos mortos (Mc 5, 21-43). De Jesus procedem muitas curas, testemunhadas com segurança. Ele operou sinais e milagres. Não em vão, pediam a cura a Jesus, paralíticos, leprosos e cegos. Também todos os santos da Igreja testemunham que a sua oração foi escutada. Muitos cristãos narram que chamaram por Deus e que Deus os ouviu. Não obstante, Deus não é autómato; temos de deixar ao Seu critério o corresponder ou não ao nosso pedido.

“Eu e o Pai somos um.” 
Jo 10, 10

“Jesus reza o Salmo 22, que começa com as palavras: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?» (SL 22, 2) Ele assume, em Si, todo o Israel sofredor, toda a humanidade sofredora, a necessidade provocada pela sua incerteza de Deus, e deixa que Deus apareça onde Ele parece ausente e onde finalmente triunfa.” 
Via-Sacra de Sexta-feira Santa com Bento XVI, 2005

“Por isso, vos digo: tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebeste, e assim sucederá.” 
Mc 11, 24

“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo! E teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.” 
Mt 6, 6

“Nem todo aquele que Me diz «Senhor! Senhor!» entrará no Reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos Céus.” 
Mt 7, 21

Pergunta 480 – Como é a oração Ave-Maria?
Ave Maria, cheia de graça,
O Senhor é convosco,
Bendita sois vós entre as mulheres
E bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte! Amen.

Pergunta 481 – Como de reza o Rosário?
(1) Sinal da Cruz
(2) Cinco dezenas: enunciação de um mistério, Pai Nosso, dez Ave-Marias e o Glória.
(3) Três vezes a Ave-Maria
(4) Salve Rainha
O terço pode compreender os mistérios gozosos, os luminosos, os dolorosos ou os gloriosos, de acordo com o dia a ser recitado.
Mistérios gozosos
(Segunda-feira e Sábado)
A anunciação do anjo a Nossa Senhora.
A visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel.
O nascimento do Menino Jesus.
A apresentação do Menino Jesus no Templo.
O Menino Jesus perde-se e é encontrado no Templo.
Mistérios luminosos
(quinta-feira)
Jesus é batizado no rio Jordão.
Jesus revela-Se na bodas de Caná.
Jesus anuncia o Reino de Deus com o convite à conversão.
Jesus transfigura-Se no cimo do monte Tabor.
Jesus institui a Eucaristia.
Mistérios dolorosos
(terça-feira e sexta-feira)
A oração de Jesus no horto.
A flagelação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Jesus é coroado de espinhos.
Jesus leva a cruz aos ombros.
A crucifixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Mistérios gloriosos
(quarta-feira e domingo)
A ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A ascensão de Jesus ao Céu.
A descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos.
A assunção de Nossa Senhora.
A coroação de Nossa Senhora no Céu, como Rainha do Céu e da Terra.

“Chama Maria com fervor e ela não deixará de lado a tua necessidade, pois ela é misericordiosa ou, melhor, a mãe da misericórdia.” 
São Bernardo de Claraval

Pergunta 483 – Quais são os cinco principais tipos de oração?
Os cinco principais tipos de oração são a bênção, a adoração, a oração de súplica e de intercessão, a oração de acção de graças e a oração de louvor.

Pergunta 484 – O que é uma oração de bênção?
Uma oração de bênção é uma oração que invoca sobre nós a bênção de Deus. É de Deus que advém toda a bênção. A bênção é a Sua bondade, a Sua proximidade, a Sua misericórdia. «O Senhor te abençoe!» é a mais curta fórmula de bênção.
Cada cristão deve invocar a bênção de Deus para si e para as outras pessoas. Os pais podem fazer aos filhos, na testa, o sinal da cruz. As pessoas que se amam podem abençoar-se mutuamente. Em virtude do seu serviço, os sacerdotes abençoam em nome de Jesus expressamente e por encargo da Igreja; a sua bênção torna-se especialmente efectiva por causa da sua ordenação e pela força da oração da Igreja inteira.

Pergunta 486 – Por que motivo devemos pedir a Deus?
Deus, que nos conhece a fundo, sabe de que precisamos. No entanto, Deus quer que “peçamos”: que nas necessidades da nossa vida nos viremos para Ele, gritemos por Ele, supliquemos, nos lamentemos, O chamemos e até discutamos com Ele na oração.
É evidente que Deus, para nos ajudar, não precisa das nossas súplicas. A atitude de pedir deve ser tomada sobretudo por nossa causa, pois quem não pede e não quer pedir fecha-se a si mesmo. Só a pessoa que pede regressa à casa de Deus. Portanto, a oração de súplica leva o ser humano à correcta relação com Deus, que respeita a nossa liberdade.

Rosário (lat. Rosarium=rosal, campo de rosas)
É o nome de uma corrente usada na oração e, ao mesmo tempo, um exercício de oração nascido no século XII entre os cistercienses e cartuxos, cujos irmãos leigos não participavam na Liturgia das Horas, celebrada em língua latina, mas tinham no Rosário uma forma própria de oração (saltério mariano). Mais tarde, o Rosário foi fomentado por várias ordens, sobretudo a dos dominicanos. Os Papas recomendaram constantemente esta oração, que goza de uma grande estima por parte de muitas pessoas.

“Quero que continueis a rezar o terço todos os dias. Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores!” Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos, 19.08.1917

“Tudo está na bênção de Deus.” 
Provérbio alemão

“Tu serás uma bênção.” 
GN 12, 2

“O Senhor te abençoe e te proteja! O Senhor faça brilhar sobre ti a Sua face e te seja favorável! O Senhor volte para ti os Seus olhos e te conceda a paz!” 
NM 6, 24 – 26

- O que exprimem os cristãos com as suas posturas orantes?
Os cristãos apresentam a Deus a sua vida através da linguagem corporal: eles estendem-se diante de Deus, juntam as mãos em oração ou abrem-nas, dobram o joelho ou ajoelham-se diante do Santíssimo Sacramento, ouvem o Evangelho de pé e meditam sentados.
De pé diante de Deus exprime-se respeito (levantamo-nos quando chega um superior) e, ao mesmo tempo, também alerta e disponibilidade (estamos prontos para nos fazermos ao caminho). Aqui, o orante assume o gesto original do louvor quando estende as mãos para louvar Deus.
Sentado diante de Deus, o cristão escuta o seu interior e põe no seu coração a Palavra em movimento, contemplando-a (Lc 2, 51)
Ajoelhando-se, a pessoa faz-se pequena diante de grandeza de Deus, reconhecendo que depende da graça de Deus.
Estendendo-se no chão, a pessoa adora Deus.
Unindo as mãos, a pessoa abandona a dispersão e concentra-se, unindo-se a Deus. As mãos juntas também são o gesto original da súplica.

Pergunta 487 – Porque devemos pedir a Deus por outras pessoas?
Tal como Abraão pediu pelos habitantes de Sodoma, tal como Jesus orou pelos Seus discípulos, tal como a primitiva comunidade não considerava «apenas o próprio bem-estar, mas o bem-estar dos outros» (FL 2,4), também os cristãos oram sempre por todos os que estão no seu coração, mesmo estando eles longe e mesmo sendo eles seus inimigos.
Quando mais uma pessoa aprende a orar, tanto mais profundamente sente que está ligada a uma família espiritual através da qual a força da oração se torna eficaz. Com toda a minha preocupação pelas pessoas que amo, estou dentro da família humana; por isso, posso receber a força da oração dos outros e invocar para os outros a ajuda divina.

Pergunta 488 – Porque devemos agradecer a Deus?
Tudo o que somos e temos provém de Deus. São Paulo diz: «Que tens tu que não tenhas recebido?» (1Cor 4,7) Ser grato a Deus, o dador de tudo o que é bom, dá felicidade.
A maior oração de acção de graças é a Eucaristia de Jesus, em que Ele toma o pão e o vinho para aí apresentar a Deus toda a Criação transformada. Todo o agradecimento do cristão está em harmonia com a grande acção de graças de Jesus. De facto, também nós somos transformados e redimidos por Jesus; assim, podemos ser gratos do mais profundo do coração, dizendo-o a Deus das mais variadas formas.

“Creio que só se entende uma igreja quando se ajoelha nela.” 
Reinhold Schneider

“Rezar por alguém significa enviar-lhe um anjo.” 
Martin Luther

“Tem mesmo de haver pessoas que orem também por aqueles que nunca oram.” 
Victor Hugo (1802-1885, escritor francês ateísta)

Pergunta 490 – É suficiente orar quando se sente vontade?
Não. Quem ora apenas quando tem vontade ou está bem-disposto e não leva Deus a sério desaprende a orar. A oração vive da fidelidade.

Pergunta 494 – Como pode o meu dia-a-dia tornar-se uma escola de oração?
Cada acontecimento, cada encontro pode tornar-se um impulso para a oração, pois quanto mais profundamente vivemos em união com Deus, tanto mais profundamente entendemos o mundo à nossa volta.
Quem, logo de manhã, procura a união com Jesus pode tornar-se uma bênção para as pessoas que vai encontrar, mesmo os seus adversários e inimigos. Ao longo do dia, ele lança ao Senhor toda a sua preocupação. Tendo mais paz dentro de si, irradia-a. Ele faz os seus juízos e toma as suas decisões perguntando a si mesmo o que faria Jesus naquele momento. Supera a angústia através da proximidade a Deus e não vacila em situações desesperantes. Ele leva em si a paz do Céu e transmite-a ao mundo. É grato e alegre por aquilo que é belo, mas suporta também as dificuldades que enfrenta. Esta atenção a Deus é possível também no âmbito da escola, da universidade e do trabalho.

“Dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus!” 1TS 5, 18

“Não são as pessoas felizes que são gratas; são as pessoas gratas que são felizes.” 
Francis Bacon (1561 – 1626, filósofo e estadista inglês)

“Pelo passado, obrigado! Pelo futuro, assim seja!” 
Dag Hammarskjold

Pergunta 498 – Pode orar-se em qualquer lugar?
Sim, pode orar-se em qualquer lugar. No entanto, um católico também procura os locais onde Deus “habita de um modo especial”, em particular as igrejas católicas, onde nosso Senhor, no Sacrário, está presente sob a espécie do pão.
É muito importante que oremos em qualquer parte: na escola, no metro, durante uma festa, no meio dos amigos. Todo o mundo deve ser impregnado de bênção. Também é importante, porém, visitar os lugares sagrados nos quais Deus, em certa medida, espera por nós, para descansarmos junto d’Ele e sermos, por Ele, fortalecidos, preenchidos e enviados. Um verdadeiro cristão nunca faz uma visita turística quando entra numa igreja; ele permanece um momento em silêncio, adora Deus e renova a sua amizade e o seu amor com Ele.

“O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza.” 
RM 8, 26ª

“Se procuras Deus e não sabes por onde começar, aprende a orar e esforça-te por orar diariamente.” 
Beata Madre Teresa

Pergunta 499 – Quando se deve orar?
Desde os tempos mais remotos, os cristãos oram de manhã, às refeições e à noite. Quem não ora regularmente deixará de orar em pouco tempo.
Quem ama uma pessoa e não lhe dá, durante todo o dia, um único sinal do seu amor não a ama a sério. O mesmo acontece com Deus. Quem realmente O busca dá-Lhe sinais constantes do seu desejo de proximidade e amizade. De manhã, levanta-se e oferece o seu dia a Deus, pede a Sua bênção e solicita a Sua presença para todos os encontros e necessidades do dia. Dá.Lhe graças, sobretudo por ocasião das refeições. E, no fim do dia, coloca-Lhe tudo nas mãos, pede-Lhe perdão e paz para si e para os outros. Um dia fixe, cheio de sinais de vida que chegaram a Deus!

Pergunta 500 – Há diversas formas de orar?
Sim, há a oração vocal, a lectio divina e a contemplação. As três formas de oração pressupõem a concentração do coração.

Pergunta 501 – O que é a oração vocal?
Orar é, antes de tudo, elevar o coração a Deus. Não obstante, o próprio Jesus ensinou a orar com palavras. No Pai Nosso, Ele deixou-nos, como Seu testamento e modelo, a oração vocal perfeita.
Na oração, não devemos ter simplesmente pensamentos piedosos. Devemos também “exprimir” o que vai no nosso coração, apresentando-o a Deus como lamentação, pedido, louvor ou agradecimento. Com frequência, são as grandes orações vocais – os salmos e os cânticos da Sagrada Escritura, o Pai Nosso, a Ave-Maria – que nos levam aos verdadeiros conteúdos da oração livre e íntima.

Pergunta 502 – Qual é a essência da lectio divina?
A essência da lectio divina é uma busca orante que emana de um texto ou de uma imagem sagrada e implica uma pesquisa sobre a vontade, os sinais e a presença de Deus.
Não podemos “ler” imagens e textos sagrados como lemos um jornal que não nos diz directamente respeito. Devemos contemplá-los, isto é, elevar o nosso coração a Deus e dizer-Lhe que, nesse momento, estamos totalmente abertos ao que Ele nos quer transmitir através do texto lido ou da imagem observada.

“[Através da oração] atingimos, de forma espiritual, toda a Criação de Deus, desde os planetas mais longínquos até às profundezas do oceano, uma solitária capela de mosteiro e uma igreja abandonada, uma clinica abortiva numa cidade e a cela de prisão numa outra […], e até o Céu e o portão do inferno. Estamos unidos a cada pedaço da Criação. Oramos com cada criatura, para que todas, pelas quais foi derramado o sangue do Filho de Deus, sejam salvas e santificadas.” 
Beata Madre Teresa

“Devíamos mais frequentemente lembrar-nos de Deus do que respirar.” 
São Gregório de Nazianzo

“Há muitos caminhos de oração. Uns vão por um, outros vão por todos. Há momentos de viva certeza: Cristo está presente, Ele fala no nosso íntimo. Noutros momentos, Ele cala-Se, torna-Se um desconhecido que está longe… Para todos, a oração, nas suas infinitas variações, permanece o trânsito para uma vida que provém não de nós mesmos, mas de Outrem.” 
Irmão Roger Schutz

“A fé não se perde. Ela simplesmente deixa de dar forma à vida.” 
Georges Bernanos

Pergunta 503 – O que é a contemplação?
A contemplação é amor, silêncio, escuta, presença diante de Deus.
Para a contemplação são necessários tempo, determinação e, sobretudo, um coração puro. É a entrega humilde e pobre de uma criatura que, deixando cair todas as máscaras, crê no amor e procura o seu Deus com o coração. A contemplação é também frequentemente designada por “oração íntima” ou “oração do coração”.

Pergunta 504 – O que procura um cristão atingir com a meditação?
Na meditação, o cristão procura a tranquilidade, para fazer a experiência da proximidade de Deus e encontrar paz na Sua presença. Ele espera sentir a Sua presença como um imerecido dom da graça; portanto, ele não a acolhe como um produto garantido de uma determinada técnica meditativa.
A meditação pode ser uma importante ajuda tanto para a fé como para o fortalecimento e amadurecimento da pessoa humana. As técnicas que prometem uma experiência de Deus, ou até uma união espiritual com Ele, são um engano. Por causa dessas falsas promessas, muitas pessoas acham que Deus as abandonou, pois não O conseguem sentir. Porém, não Se pode forçar Deus com determinados métodos. Ele comunica-Se a nós quando e como quer.

Pergunta 505 – Por que motivo a oração é por vezes uma luta?
Os mestres espirituais de todos os tempos descreveram o crescimento na fé e no amor a Deus como uma luta na qual se decidem a vida e a morte. O local da batalha é o interior do ser humano. A arma do cristão é a oração. Podemos ser vencidos pelo nosso egoísmo, podemos perder-nos com ninharias – ou ganhar Deus.
Quem quer orar tem muitas vezes de vencer o velhaco que tem no seu interior. Aquilo que hoje em dia designamos por “estar aborrecido” já conheciam os Padres do deserto como “inércia” (ou acídia). O desinteresse do Deus é um grande problema na vida espiritual. O espirito desta época também não encontra sentido na oração, pelo que não lhe deixa lugar na agenda. É necessário também lutar contra o Tentador, que tudo empreende para desviar o ser humano da entrega a Deus. Se Deus não quisesse que O encontrássemos na oração, não ganharíamos a batalha.

Pergunta 506 – É a oração uma forma de monólogo?
Distintivo da oração é precisamente o facto de que transitamos de um “eu” para um “Tu”, da referência a si mesmo para uma abertura radical. Quem realmente ora faz a experiência de que Deus fala – e que frequentemente diz algo diferente do que desejávamos e esperávamos.
As pessoas experientes em oração narram-nos que muitas vezes saem de um momento de oração diferentes do que eram quando nele entraram. Às vezes, as expectativas são satisfeitas: estamos tristes e somos consolados; estamos desanimados e obtemos novas forças. Mas também pode acontecer desejarmos esquecer aflições mas passarmos a uma inquietação ainda mais profunda, querermos sossego mas recebermos uma missão. Um verdadeiro encontro com Deus, como acontece sempre na oração, abre-nos caminhos às vezes inesperados.

“Enquanto vivemos, lutamos; se continuamos a lutar é sinal de que não nos rendemos e de que o Espírito bom habita em nós. E se a morte não te encontrar como vencedor, deve encontrar-te como lutador.” 
Santo Agostinho

“Devemos ter uma santa audácia, pois Deus ajuda quem é corajoso e não faz acepção de pessoas.” 
Santa Teresa de Ávila

“Aqui pelejam Deus e o diabo, e o campo de batalha é o coração humano.” 
Fiodor M. Dostoiévski em Os Irmãos Karamazov

“Reza-se como se vive, porque se vive como se reza.” 
CCC, 2725

“Orar significa mais escutar que falar. Contemplar significa mais ser olhado que olhar.” 
Carlo Caretto (1910-1988, escritor italiano, místico e “pequeno irmão de Jesus”)

Pergunta 508 – O que significa não sentir nada na oração ou até sentir uma aversão à oração?
Qualquer pessoa que ora tem experiências como a distracção na oração, o sentimento de vazio interior, a aridez e mesmo a aversão à oração. Perseverar na fidelidade é já oração.
Até Santa Teresa de Lisieux passou muito tempo sem sentir o amor de Deus. Pouco antes da sua morte, foi visitada à noite pela sua irmã Céline. Ela viu que Teresa tinha entrelaçado as mãos, «Que fazes? Devias tentar dormir!», julgava Céline. «Não consigo. Estou a sofrer muito. Mas estou a orar», respondeu Teresa. «E que dizes a Jesus?» - «Não Lhe digo nada. Amo-O.»

Pergunta 509 – Será a oração uma fuga da realidade?
Quem ora não foge da realidade, mas abre os olhos para toda a realidade. Do próprio Deus, todo-poderoso, recebe a força de perseverar na realidade.
Orar é como ir a uma estação de serviço onde o combustível é gratuito para toda a longa estrada e onde até se encontram desafios radicais para a viagem. A oração não leva para fora da realidade, mas introduz profundamente nela. Orar não rouba tempo, mas duplica o tempo restante, enchendo-o de sentido a partir do seu interior.

“Nada tendes, porque nada pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, pois o que pedis é para satisfazer as vossas paixões.” 
TG 4, 2-3

“O melhor remédio contra a aridez espiritual consiste em colocarmo-nos como pedintes na presença de Deus e dos santos, e andar, como um pedinte, de um canto para o outro, rogando uma esmola espiritual com a mesma impertinência com que um pobre pede esmolas.” 
São Filipe Néri (1515-1595, apóstolo de Roma e fundador da Congregação do Oratório)

Pai Nosso
Pergunta 511 – Como é o Pai Nosso?
Pai nosso, que estais nos Céus,
Santificado seja o Vosso nome,
Venha a nós o Vosso Reino,
Seja feita a Vossa vontade
Assim na terra como no Céu!
O pão nosso de cada dia nos dia hoje,
Perdoai-nos as nossas ofensas
Assim como nós perdoamos
A quem nos tem ofendido,
E não nos deixeis cair em tentação,
Mas livrai-nos do mal!
Amen.
O Pai Nosso é a única oração que Jesus deixou aos Seus discípulos (MT 6, 9-13; LC 11, 2-4), daí que também o Pai Nosso se chame a “oração do Senhor”. Os cristãos de todas as confissões cristãs rezam-na diariamente, tanto comunitária como privadamente. A adição «Porque Vosso é o Reino e o poder e a glória para sempre!» está já mencionada na Doutrina dos Doze Apóstolos (Didaché, ca.150 d. C.) e pode ser acrescentada ao Pai Nosso.

Pergunta 512 – Como surgiu o Pai Nosso?
O Pai Nosso surgiu do pedido de um discípulo de Jesus, que viu o seu Mestre a orar e queria aprender, com o próprio Jesus, a orar correctamente.

Pergunta 513 – Que estrutura tem o Pai Nosso?
O Pai Nosso compõe-se de sete pedidos ao misericordioso Pai do Céu. Os três primeiros pedidos referem-se a Deus e à forma correcta como O servimos. Os últimos quatro pedidos levam ao nosso Pai do Céu as nossas necessidades humanas básicas.


“Considera que Deus está presente entre as panelas e as frigideiras e que Ele está ao teu lado nas tarefas interiores e exteriores.” 
Santa Teresa de Ávila

Pergunta 515 – De onde nos vem a confiança de chamar “Pai” a Deus?
Temos a ousadia de chamar “Pai” a Deus porque Jesus nos chamou à Sua intimidade e fez de nós filhos de Deus. Em comunhão com Ele, que «está no seio do Pai» (Jo 1, 18), podemos gritar «Abbá, Pai!»


Pergunta 516 – Como pode uma pessoa chamar “Pai” a Deus, se ela foi maltratada ou abandonada pelo(s) seu(s) pai(s) biológico(s)?
A atitude dos pais biológicos ou adoptivos prejudica frequentemente a concepção de um Deus bom. Porém, aquilo que o nosso Pai do Céu é não corresponde exactamente às experiências que temos com os nossos pais. Temos de purificar a nossa imagem de Deus de todas as nossas ideias, para nos podermos encontrar com Ele numa confiança incondicional.
Mesmo quem foi violentado pelo próprio pai pode aprender a rezar o Pai Nosso. Com frequência, a sua missão vital é deixar-se cair nos braços de um amor que lhe foi negado cruelmente por algumas pessoas, mas que está disponível de um modo maravilhoso e acima de toda a compreensão humana.

Pergunta 519 – O que significa dizer «Santificado seja o Vosso nome»?
Santificar o nome de Deus significa coloca-l’O acima de tudo.
Na Sagrada Escritura, o “nome” refere-se à verdadeira essência da pessoa. Santificar o nome de Deus significa fazer a Sua vontade: reconhecê-l’O, louvá-l’O, proporcionar-Lhe estima e glória, e viver segundo os Seus mandamentos.

“Na oração do Senhor, dizemos todos em conjunto: «Pai nosso». Dizem o mesmo o imperador, o pedinte, o escravo, o senhor. São todos irmãos, pois têm o mesmo Pai.” 

Santo Agostinho

“Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da Terra!” 
CL 3, 2

“Na Terra, o Céu está por toda a parte onde as pessoas estão cheias de amor a Deus, ao seu próximo e a si mesmas.” 
Santa Hildegarda de Bingen

“O nome do Deus único deve tornar-se cada vez mais aquilo que é: um nome de paz e um mandamento de paz.” 
João Paulo II

Pergunta 520 – O que significa dizer «Venha a nós o Vosso Reino»?
Quando rezamos «Venha a nós o Vosso Reino», pedimos que Cristo retorne, tal como prometeu, e que o império de Deus, que já irrompeu entre nós, se imponha definitivamente.
Diz François Fénelon: «O Reino de Deus, que é totalmente interior, é querer tudo o que Deus quer, é querê-lo em todas as circunstâncias e sem limitações.»

Pergunta 521 – O que significa dizer «Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu»?
Quando oramos para que a vontade de Deus se imponha universalmente, pedimos que aconteça na Terra e no nosso próprio coração o que já acontece no Céu.
Enquanto insistirmos nos nossos próprios planos, na nossa vontade e nas nossas ideias, a Terra nunca se tornará no Céu. Um quer isto; outro, aquilo. Mas só encontraremos a nossa felicidade quando quisermos juntos o que Deus quer. Orar significa dar espaço na Terra, nanómetro a manómetro, à vontade de Deus.

Pergunta 522 – O que significa dizer «O pão nosso de cada dia nos dai hoje»?
Pedir o pão para o nosso dia-a-dia torna-nos pessoas que esperam da bondade do seu Pai do Céu tudo o que é necessário, tanto os bens materiais como os espirituais. Nenhum cristão deve fazer esse pedido sem pensar na sua responsabilidade real por aqueles a quem faltam os bens mais básicos deste mundo.

“Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade.” 

TM 2, 4

“Pai do Céu, não peço saúde nem doença, nem vida nem morte, mas que disponhas da minha saúde e da minha doença, da minha vida e da minha morte, para a Tua glória e para a minha salvação. Só Tu sabes o que me é útil. Amen.” 
Blaise Pascal

“A total renuncia a si mesmo significa aceitar com um sorriso o que Ele dá e o que Ele tira… Dar sempre o que é pedido, quando serve o teu bom nome ou a tua saúde, significa total renúncia a si mesmo; então, serás livre.” 
Beata Madre Teresa

Pergunta 524 – O que significa dizer «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido»?
O perdão misericordioso que damos aos outros é inseparável daquele que nós próprios procuramos. Se não formos misericordiosos e não nos perdoarmos reciprocamente, a misericórdia de Deus não chegará ao nosso coração.
Muitas pessoas lutam uma vida inteira com o facto de não conseguirem perdoar. O profundo bloqueio da intransigência só se resolve na perspectiva de Deus, que nos acolheu «sendo nós ainda pecadores» (RM 5, 8). Perdão e vida reconciliada são possíveis porque temos um Pai bom.

Pergunta 525 – O que significa dizer «Não nos deixeis cair em tentação»?
Porque corremos a cada dia e a cada momento o risco de negarmos Deus e de pecarmos, pedimos a Deus que não nos deixe indefesos na violência da tentação.
O próprio Jesus, que foi tentado, sabe que somos pessoas fracas, que não conseguem resistir ao mal pelas próprias forças. Ele apresenta-nos, então, o pedido do Pai Nosso que nos ensina a confiar no auxílio de Deus na hora da provação.

Pergunta 526 – A quem se refere o pedido «Livrai-nos do mal»?
O “mal” no Pai Nosso não se refere a uma força ou uma energia espiritual negativa, mas ao mal em pessoa, que a Sagrada Escritura conhece pelos nomes de Tentador, Maligno, Pai da mentira, Satanás e Diabo.
Ninguém pode negar que, neste mundo, o mal é de uma violência devastadora, que somos rodeados de sugestões diabólicas, que na História decorrem por vezes processos demoníacos. Só a Sagrada Escritura chama as coisas pelos nomes: «Porque não temos de lutar contra a carne e o sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste mundo.» (EF 6, 12) O pedido do Pai Nosso de nos livrar do mal apresenta a Deus toda a miséria deste mundo e imploro que Ele, o Omnipotente, nos liberte de todo o infortúnio.

Pergunta 527 – Porque terminamos o Pai Nosso com a palavra «Amen»?
Desde os tempos mais remotos, os judeus e os cristãos concluem as suas orações com «Amen», que significa «Sim, assim seja!»
Quando uma pessoa diz “Amen” às suas palavras, “Amen” à sua vida e à sua sorte, “Amen” à alegria que o espera, o Céu e a Terra unem-se e encontramo-nos na meta, isto é, junto do amor que nos criou ao princípio.


“Se alguém disser: «Amo a Deus» e odiar o seu irmão, é mentiroso. Quem não ama o seu irmão, que vê, não pode amar a Deus, que não vê.” 
1Jo 4, 20

“Há a fome do pão ordinário, mas também a fome de amor, de bondade e de atenção mútua – e esta é a grande pobreza que as pessoas hoje sofrem muito.” 
Beata Madre Teresa

“Sede sóbrios e vigiai! O vosso inimigo, o diabo, anda à vossa volta, como leão que ruge, procurando a quem devorar. Resisti-lhe, firmes na fé!”

“A maior falcatrua do Diabo é convencer-nos de que ele não existe.” 
Charles Baudelaire (1821 – 1867, poeta lírico francês)

“O «Amen» da nossa fé não é morte, mas vida.” 
Cardeal Michael Von Faulhaber

“Todos os dias o SOL nasce: não faltará. Assim também SENHOR todos os dias Tu serás a LUZ da nossa caminhada.” 
Anna Maria Cànopi

E assim cheguei ao fim deste livro, apenas quis partilhar as partes importantes e o que eu própria acho importante de salientar. É uma forma fácil de esclarecer dúvidas à cerca da Igreja Cristã.

21 outubro 2012

13. Youcat (Frases, Perguntas e as suas Respostas)


*Nono Mandamento: Não cobiçarás a mulher do teu próximo!*

Pergunta 462 – Porque se dirige o nono Mandamento contra a avidez sexual?
O nono mandamento dirige-se não contra o desejo em si, mas contra uma apetência desordenada. A “avidez” de que a Sagrada Escritura previne é o domínio dos instintos sobre o espírito, a dominação dos impulsos sobre a totalidade da pessoa e a pecaminosidade daí suscitada.
A atracção erótica entre um homem e uma mulher foi criada por Deus e é, consequentemente, boa; pertence ao ser sexual e à constituição biológica do ser humano. Ela procura unir o homem e a mulher um com o outro, fazendo nascer a descendência do seu amor. Esta união deve ser protegida pelo nono Mandamento. Jogando com o fogo, isto é, lidando negligentemente com a crepitação erótica entre homem e mulher, podem ser colocados em risco o casamento e a família.

Pergunta 463 – Como se chega à “pureza do coração”?
A pureza do coração, necessária para o amor, atinge-se, em primeiro lugar, pela união com Deus, na oração. Quando a graça de Deus nos toca, surge um caminho para o amor humano puro e indiviso. Uma pessoa casta  pode amar com um coração sincero e inteiro.
Quando nos dedicamos a Deus com intuito puro, Ele transforma o nosso coração Ele dá-nos a força para corresponder à Sua vontade e para afastar pensamentos, fantasias e desejos impuros.

Pergunta 464 – Qual é a utilidade do pudor?
O pudor protege o espaço íntimo da pessoa, isto é, o seu mistério, o que tem de mais próprio e interior, a sua dignidade; acima de tudo, defende a sua capacidade para o amor e a entrega erótica. Ele remete para aquilo que deve ser o amor.
Muitos jovens cristãos vivem num ambiente em que tudo é mostrado como evidente e o sentimento do pudor é sistematicamente desaprendido. Mas a impudência é inumana. Os animais não conhecem sentimentos de pudor; pelo contrário, no ser humano, é um distintivo essencial. O pudor não esconde uma coisa sem valor, mas protege algo valioso, isto é, a dignidade da pessoa na sua capacidade para amar. O sentimento de pudor encontra-se em todas as culturas, ainda que sob diferentes formas. Não tem nada a ver com beatice ou educação frustada. O ser humano também tem vergonhados seus pecados e de outras coisas cuja divulgação o aviltariam. Quem, mediante palavras, olhadelas, gestos e actos, fere o sentimento de pudor natural de uma outra pessoa rouba-lhe a dignidade.

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus!” 
Mt 5, 8

“As obras da carne são bem conhecidas: luxúria, imoralidade, libertinagem, idolatria, feitiçaria, […] Como já vos disse, os que praticam estas acções não herdarão o Reino de Deus.” 
GL 5, 19-21

“Portanto, fazei morrer o que em vós é terreno: imoralidade, impureza, paixões, maus desejos e avareza, que é uma idolatria.” 
CL 3, 5

“O pudor existe por toda a parte onde há mistério.” 
Friedrich Nietzsche (1844-1900, filósofo alemão)

*Décimo Mandamento: Não cobiçarás os bens do teu próximo!*

Pergunta 465 – Que atitude deve ter um cristão relativamente à propriedade alheia?
Um cristão deve aprender a distinguir as ambições razoáveis dos desejos insensatos e injustos, adquirindo uma atitude interior de respeito pelos bens alheios.
Do desejo voraz resultam a avareza, o roubo, o furto, a fraude, a violência, a injustiça, a inveja e a ânsia desmedida pela posse da riqueza alheia.

Pergunta 466 – O que é a inveja e como pode ser combatida?
A inveja é o ciúme e a fúria de quem vê a prosperidade dos outros e deseja apoderar-se injustamente do que eles têm. Quem deseja mal aos outros peca gravemente. A inveja diminui à medida que a pessoa procura cada vez mais alegrar-se com as conquistas e os dons dos outros, quando ela crê na benévola providência de Deus também para si e quando ela dirige o seu coração para a verdadeira riqueza, que consiste no facto de já participarmos em Deus pelo Espírito Santo.

Pergunta 467 – Por que motivo Jesus exige de nós a “pobreza de coração”?
«Ele, que era rico, fez-Se pobre por vossa causa, para vos enriquecer com a Sua pobreza.»
Também os jovens têm a experiência do vazio interior. Mas ser pobre de coração pode até ser bom. De facto, só tenho de procurar, de todo o coração. Aquele que pode encher o meu vazio, transformando a minha pobreza em riqueza. Por isso, Jesus disse: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus!» (MT 5, 3)

Pergunta 468 – Que realidade devia o ser humano desejar mais?
O último e maior desejo do ser humano só pode ser Deus. Vê-l’O, o nosso Criador, Senhor e Redentor, seria uma infinita felicidade.

“Não cobiçarás a casa do teu próximo; não desejarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, o seu boi ou o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença!” 
Ex 20, 17

“Pois, como a ferrugem o ferro, assim o ciúme consome a alma que está apegada a ele.” 
Regra de São Basílio Magno (329 – 379, padre e doutor da igreja)

“Não odeies ninguém! Não sejais invejosos! Não ajais por inveja! Não ameis o conflito! Fugi da arrogância!”
Regra de São Bento de Núrsia

“O abismo infinito do ser humano só se pode encher com algo infinito e constante, que é o próprio Deus.” Blaise Pascal

“Nem mesmo Deus poderia fazer algo por alguém que não Lhe dá espaço. Devemos estar completamente vazios, para O deixar entrar, para que Ele faça o que quer.” 
Beata Madre Teresa

14 setembro 2012

12. Youcat (Frases, Perguntas e as suas Respostas)


*Sétimo Mandamento: Não roubarás!*

Pergunta 428 – O que é um furto?
O furto é uma apropriação ilegal de um bem alheio.
É também um atentado contra o sétimo Mandamento apropriar-se indevidamente de um bem alheio, mesmo quando o acto não for denunciado pelas leis do Estado. O que for injustiça perante Deus não deixa de ser injustiça. Mas o sétimo Mandamento não é válido apenas para o furto; ele também se refere à injusta retenção do salário justo, à apropriação de objectos que foram encontrados e podem ser devolvidos, e à fraude em geral. O sétimo Mandamento também acusa os seguintes pontos: empregar trabalhadores sem condições humanas dignas, não respeitar os contratos firmados, malbaratar os rendimentos adquiridos sem respeito pelos deveres sociais, elevar ou baixar os preços artificialmente, prejudicar o posto de trabalho dos trabalhadores subordinados, praticar o suborno e a corrupção, induzir os trabalhadores dependentes a actos ilegais, realizar mal o trabalho, exigir honorários desapropriados, esbanjar ou administrar negligentemente o património público, falsificar dinheiro, facturas e balanços, e fugir aos impostos.

“Ter e não dar nada é, em muitos casos, pior que furtar.” 
Marie Von Ebner-Eschenbach

“Ele, que era rico, fez-Se pobre por vossa causa, para vos enriquecer com a Sua pobreza.” 
2Cor 8, 9

Pergunta 429 – Que regras são válidas para os bens imateriais?
Também o furto de bens imateriais é um roubo.
Não é apenas o plágio que é furto. A apropriação ilícita de um bem imaterial começa em copiar por alguém na escola, continua com o download ilegal de conteúdos da Internet, diz respeito às fotocópias ilegais e aos mais diversos tipos de cópias-pirata, e vai até à venda de rascunhos e ideias furtadas. Qualquer posse de bens imateriais alheios exige tanto o livre consentimento como a remuneração apropriada ou a participação do autor no lucro.

Pergunta 431 – Podem usar-se truques para fugir aos impostos?
Não devem ser feitas objecções à perspicácia no trato com o complexo sistema de impostos. Imoral é a fuga aos impostos ou a fraude fiscal, isto é, a falsificação, a omissão e o ocultamento dos factos, para impedir uma correcta apreciação fiscal.
Pelo pagamento dos impostos, os cidadãos contribuem, cada qual segundo a sua capacidade, para que o Estado realize as suas tarefas. Por isso, a fuga aos impostos não é uma coisa séria. Os impostos devem ser justos e proporcionais, e devem ser cobrados de uma forma legal.

Pergunta 433 – Como devemos lidar com a propriedade que pertence a todos?
O vandalismo e a danificação intencional do equipamento ou do património público são formas de roubo e devem ser reparadas.

Pergunta 434 – Pode um cristão participar em apostas e jogos de sorte?
As apostas e os jogos de sorte são imorais e perigosos quando o jogador prejudica o seu sustento. Pior ainda é quando ele põe em risco os fundamentos económicos dos outros, nomeadamente dos que lhe estão confiados.
Em termos morais, é altamente problemático arriscar grandes somas de dinheiro em jogos de sorte, quando a outros falta o mais básico para viver. As apostas e os jogos de sorte podem, além disso, criar vício e escravizar o ser humano.

Pergunta 435 – As pessoas podem ser compradas e vendidas?
Ninguém tem o direito de fazer de uma pessoa ou de um dos seus órgãos uma mercadoria. Nem mesmo essa pessoa pode fazer de si própria um produto vendável. O ser humano pertence a Deus, que lhe concedeu liberdade e dignidade. Comprar e vender pessoas, como ainda hoje acontece, e não apenas na prostituição, é um acto profundamente rejeitável.
No comércio de órgãos, no comércio de embriões no mundo da biotecnologia, no comércio de crianças para fins de adopção, no recrutamento de crianças – soldado, na prostituição – por todo o lado emerge novamente a antiquíssima injustiça do comércio de seres humanos e da escravatura. Roubam-se às pessoas a liberdade, a dignidade, a autodeterminação e mesmo a vida. São rebaixadas até se tornarem objectos, com que o seu dono pode fazer um negócio. Distintas do comércio de pessoas em sentido estrito são os negócios do futebol e outras modalidades; aqui fala-se de “vender” e “comprar” jogadores, mas trata-se apenas de procedimentos que pressupõem o livre consentimento.

Plágio ou Plagiato – Um plágio consiste em apoderar-se ocultamente de um bem intelectual alheio e em apresentá-lo como uma produção intelectual própria.

“Se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais.” 
Lc 19, 8

“Um homem rico é muitas vezes um pobre homem com muito dinheiro.” 
Aristóteles

“Um homem rico, se for muito abastado, é porque roubou a muitos.” 
Almeida Garrett

“O dinheiro possui mais a pessoa, que a pessoa a ele.”                
São Cipriano de Cartago (200-258, doutor da Igreja)

“Toma em consideração, quando adquirires e utilizares um objecto, que ele é um produto do trabalho humano, e que tu, consumindo-o, destruindo-o ou prejudicando-o, destróis esse trabalho e, assim, consomes vida humana.” 
Leo Tolstoi (1818-1910, poeta russo)

Pergunta 437 – Como devemos lidar com os animais?
Os animais, tal como nós, são criaturas que devemos amar e com as quais nos devemos alegrar, tal como Deus Se alegra com a sua existência.
Criaturas de Deus, os animais também sentem. É um pecado maltratá-los, fazê-los sofrer e matá-los sem necessidade. Não obstante, o ser humano não pode colocar o amor aos animais acima do amor às pessoas.

Pergunta 439 – Como surgiu a Doutrina Social da Igreja?
Com a sua Doutrina Social, a Igreja respondia, no século XIX, às questões laborais. Embora a industrialização tivesse levado a um incremento do bem-estar, eram sobretudo os senhores das fábricas que com isso beneficiavam, enquanto caíam na miséria muitas pessoas, como os trabalhadores quase sem direitos. Desta experiência, o comunismo tirava a conclusão de que existe uma irreconciliável oposição entre o trabalho e o capital, que tinha de ser resolvida através de uma luta de classes. A Igreja, pelo contrário, empenhava-se por um equilíbrio justo entre os trabalhadores e os senhores das fábricas.
A Igreja empenhava-se em que, não apenas alguns, mas todos fossem beneficiados pelo bem-estar, recentemente possibilitado pela industrialização e pela concorrência. Por isso, ela apoiou a criação de sindicatos e lutou por que os trabalhadores, com a ajuda das leis e das garantias do Estado, fossem protegidos da exploração e, juntamente com as suas famílias, tivessem seguros de saúde e de outras necessidades.

“A caridade é a via mestra da Doutrina Social da Igreja.” 
Bento XVI, Caritas in veritate, nº2

“Cuidas da terra e a regas, e sem medida a enriqueces. Enches a transbordar de água os teus rios e preparas assim os trigais. As pastagens do deserto gotejam e as colinas enfeitam-se de alegria. Os campos cobrem-se de rebanhos e os vales vestem-se de espigas; lançam gritos de alegria e cantam. “ 
SL 65, 10.13-14

Pergunta 443 – Qual é a missão dos gestores e empresários?
Os gestores e os empresários esforçam-se pelo sucesso financeiro da sua empresa. Ao lado dos seus legítimos interesses (em que se incluem os lucros), eles devem considerar a sua responsabilidade social: respeitar os justos anseios dos trabalhadores, fornecedores e clientes, assim como da sociedade em geral e do ambiente.

“Não pode haver capital sem trabalho, nem trabalho sem capital.” 
Leão XIII, Rerum novarum, nº9 (1891)

“A angariação dos recursos, os financiamentos, a produção, o consumo e todas as outras fases do ciclo económico têm inevitavelmente implicações morais.” 
Bento XVI, Caritas in veritate, nº37

“A economia precisa da ética, a ética da caridade, a caridade da verdade.” 
Cardeal José Saraiva Martins

Pergunta 444 – O que diz a Doutrina Social da Igreja sobre o trabalho e o desemprego?
O trabalho é uma tarefa confiada por Deus ao ser humano. Nós devemos, num esforço comum, guardar e continuar a Sua obra criadora: «O Senhor Deus tomou o ser humano e colocou-o no jardim do Éden, para o cultivar e guardar.» (GN 2, 15) Para a maioria das pessoas, o trabalho é a base da sua vida. O desemprego é uma grande desgraça e deve ser resolutamente combatida.
Enquanto hoje muitos desejariam trabalhar mas não encontram emprego, existem pessoas tão viciadas no trabalho que, de tanto fazer, não têm tempo para Deus e para os outros. E enquanto muitas pessoas quase não conseguem obter alimento para si e para as suas famílias, outras há que ganham tanto, que podem ter uma vida de luxo inimaginável. O trabalho não é um fim em si mesmo, mas deve servir a realização de uma sociedade humana digna. A Doutrina Social da Igreja empenha-se, portanto, por uma ordem económica em que todas as pessoas interajam activamente e possam participar na criação do bem-estar. Ela luta por salários justos, que possibilitam a todos uma existência humana digna, e exorta os ricos às virtudes da moderação e da partilha solidária.

Pergunta 446 – O que diz a Igreja sobre a globalização?
Em primeiro lugar, a globalização não é boa nem má, mas a descrição de uma realidade que deve ser moldada. «Nascido no âmbito dos países economicamente desenvolvidos, este processo causou, pela sua própria natureza, um envolvimento de todas as economias. Foi o motor principal para a saída de regiões inteiras do subdesenvolvimento e, por si mesmo, constitui uma grande oportunidade. Contudo, sem a orientação da caridade na verdade, este ímpeto mundial pode concorrer para surgirem perigos até agora desconhecidos e novas divisões na família humana.» (Bento XVI, Caritas in veritate, nº33)
Quando compramos uns jeans baratos, não nos deveria ser indiferente em que condições eles foram produzidos, se os trabalhadores receberam ou não um salário justo. É importante a felicidade de todos. Não devemos ficar alheios às dificuldades dos outros. Ao nível da politica, é necessária «uma autoridade internacional politica autêntica» (Bento XVI, Caritas in veritate, nº67), que trabalhe para que se chegue a um equilíbrio entre as pessoas dos países ricos e as dos países subdesenvolvidos. São ainda muitos os excluídos das vantagens da globalização económica; na maioria dos casos, eles só têm de carregar com os fardos.

“É consternador ver uma globalização que dificulta cada vez mais as condições de vida dos pobres, que em nada contribui para resolver a fome, a pobreza e o desequilíbrio social, e que espezinha o ambiente. Estes aspectos da globalização podem levar a contrárias reacções extremas, como o nacionalismo, o fanatismo religioso e até o terrorismo.” 
João Paulo II, 2003

Pergunta 448 – Serão a pobreza e o subdesenvolvimento um destino inevitável?
Deus confiou-nos uma terra rica, que oferecesse a todas as pessoas alimento suficiente e espaço para viver. Porém, há regiões, países e continentes inteiros nos quais muitas pessoas nem o mais básico têm para poderem viver. Esta fragmentação do mundo tem origens históricas complexas, mas não é irreversível. Os países ricos têm o dever moral de ajudar os países subdesenvolvidos a sair da pobreza, através de ajudas ao desenvolvimento e da criação de condições justas para a economia e o comércio.
No nosso mundo, vivem 1,4 biliões de pessoas que têm de viver diariamente com menos de 1 euro. Sofrem de carência de alimento e, com frequência, também de água potável; muitas vezes, não têm acesso à educação e aos cuidados de saúde. Estima-se que diariamente morram mais de 25 000 pessoas de subnutrição; muitas delas são crianças.

“A “economia em comunhão” surgiu para um dia podermos dar este exemplo: num povo em que não há necessitados, também não há pobres.” 
Clara Lubich (1920 – 2008, fundadora dos Focolares)

Pergunta 449 – Que significado têm os pobres para os cristãos?
O amor aos pobres tem de ser, em todos os tempos, o distintivo dos cristãos. Não se trata apenas de lhes dar algumas esmolas; os pobres têm direito à justiça. Além do mais, os cristãos têm o dever de partilhar os seus bens. Cristo é o modelo do amor aos pobres.
«Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus!» (MT 5, 3) Esta é a primeira frase de Jesus no Sermão da Montanha. Existe pobreza material, psíquica, intelectual e espiritual. Os cristãos devem acolher os necessitados deste mundo com grande atenção, amor e eficácia. Em nenhum ponto, de facto, eles serão tão claramente apreciados como na forma como trataram os pobres: «Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes.» (MT 25, 40)

Pergunta 450 – Quais são as obras de misericórdia corporais?
As obras de misericórdia corporais são: 1º - Dar de comer a quem tem fome. 2º- Dar de beber a quem tem sede. 3º- Vestir os nus. 4º- Dar pousada aos peregrinos. 5º- Assistir aos enfermos. 6º- Visitar os presos. 7º- Enterrar os mortos.

Pergunta 451 – Quais são as obras de misericórdia espirituais?
As obras de misericórdia espirituais são: 1º- Dar bom conselho. 2º- Ensinar os ignorantes. 3º- Corrigir os que erram. 4º- Consolar os tristes. 5º- Perdoar as injúrias. 6º- Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo. 7º- Rogar a Deus pelos vivos e defuntos.

“Pois é dando que se recebe. É perdoando, que se é perdoado. E é morrendo, que se vive para a vida eterna!” 
Oração do Movimento Franciscano, França, 1913

“Dá aos pobres e ficarás rico.” 
Provérbio árabe

Quando vinham candidatas à sua congregação religiosa, Madre Teresa tomava-as frequentemente à parte, abria a sua mão direita, para voltar a dobrar os cinco dedos, um após o outro. Para cada dedo, ela dizia uma das palavras: «Tu a Mim o fizeste!» - as cinco palavras de Jesus em MT 25, 40. Estas palavras e este pequeno hábito eram e são, para as irmãs, a grande ajuda na sua batalha contra a miséria e a repugnância, no serviço aos doentes e aos moribundos.

“Não sei bem como será o Céu, mas sei que, quando morrermos, será tempo de Deus nos julgar. Então, Ele não nos perguntará: «Quantas coisas boas fizeste na tua vida?» Ele perguntar-nos-á antes: «Com quanto amor fizeste aquilo que fizeste?»” 
Beata Madre Teresa

*Oitavo Mandamento: Não darás falso testemunho contra o teu próximo!*

Pergunta 452 – O que exige de nós o oitavo Mandamento?
O oitavo Mandamento ensina-nos a não mentir. Mentir significa falar ou agir consciente e voluntariamente contra a verdade. Quem mente engana-se a si mesmo e ilude os outros, os quais têm o direito a conhecer a verdade integral de um facto.
A mentira atenta contra a justiça e o amor. A mentira é uma forma de violência; ela coloca, numa comunhão, a semente da divisão e soterra a confiança, sobre a qual assenta a comunhão humana.

Pergunta 455 – O que significa ser verdadeiro?
Ser verdadeiro significa agir seriamente e falar honestamente. Quem é verdadeiro protege-se da ambiguidade, do fingimento, da ilusão e da dissimulação manhosa. A pior forma de mentira é o juramento falso.
Um grande mal em todas as colectividades consiste em caluniar as outras pessoas e/ou difundir o que foi ouvido: A diz “confidencialmente” a B o nocivo que C disse sobre D.

Pergunta 456 – O que se deve fazer quando se mente, se engana ou se burla?
Qualquer falta contra a verdade e a justiça exige uma reparação, mesmo que tenha sido perdoada.
Quando uma pessoa não pode reparar publicamente uma mentira ou um testemunho falso, deve fazer o que puder, pelo menos discretamente. Não podendo reparar ao afectado os donos provocados, está por consciência obrigada a realizar uma reparação moral, isto é, a dar-lhe o seu melhor, para lhe proporcionar, no mínimo, uma simbólica compensação.

Pergunta 459 – Quão secreto é o segredo da confissão?
O segredo da confissão é sagrado. Por nenhum motivo, mesmo muito grave, deve ser violado.
Nem um crime gravíssimo o Sacerdote deve denunciar. Porém, ele pode negar a absolvição se o penitente não se quiser apresentar à polícia. Mesmo torturado, nem os pecadinhos de uma criança o sacerdote pode revelar.

“Se dissermos que estamos em comunhão com Ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a Verdade.” 
1Jo 1, 6

Pergunta 459 – Que responsabilidade ética se exige nos meios de comunicação social?
No âmbito dos media, os produtores têm uma responsabilidade relativamente aos utilizadores. Acima de tudo, devem informar com toda a verdade. Tanto as investigações dos factos como a sua divulgação devem atender aos direitos e à dignidade do ser humano.
Os meios de comunicação social devem contribuir para a edificação de um mundo justo, livre e solidário. Não raramente, os media são efectivamente instituídos como armas de discussão ideológica, ou, satisfazendo a vontade das audiências, renunciam a uma orientação ética dos conteúdos, convertendo-se em meios para seduzir as pessoas ou criar dependências nelas.


Pergunta 460 – Que perigos se encontram nos media?
Muitas pessoas, especialmente as crianças, consideram real o que vêem nos media. Quando, no contexto da diversão, a violência é glorificada, o comportamento anti-social é aprovado e a sexualidade humana é banalizada, pecam tanto os responsáveis pelos media como as instâncias de controlo, que deviam rejeitar os produtos sem qualidade ética.
As pessoas que trabalham nos media devem estar conscientes de que os seus produtos têm um efeito educativo. Os jovens devem avaliar se estão a utilizar os media na liberdade e numa distância crítica, ou se já estão viciados neles. Cada pessoa é responsável pela sua alma. Quem consome violência, ódio e pornografia através dos media embrutece espiritualmente e causa prejuízos a si mesmo.

Media ou Meios de Comunicação Social
São aqueles meios que se dirigem não apenas a alguns indivíduos, mas toda a sociedade humana, influenciando-a poderosamente: jornais, revistas, cinema, rádio, televisão, Internet, etc.

“Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza.” 
Bento XVI, Lisboa, 12.05.2010